A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) lançou o Projeto Piloto de Tokenização, iniciativa que reunirá instituições para testar, em ambiente controlado, a emissão e negociação de ativos financeiros por meio de tecnologia blockchain. A ideia é avaliar de forma prática como a tokenização pode operar de maneira integrada, segura e compatível com o modelo regulado do mercado de capitais brasileiro.
Segundo a ANBIMA, o objetivo do projeto é enfrentar a fragmentação atual do mercado de tokenização, em que diferentes instituições conduzem experimentos isolados, com padrões próprios e pouca interoperabilidade. Essa dispersão tem gerado ineficiências operacionais, redundância de processos e maior complexidade para a supervisão regulatória. A iniciativa pretende oferecer um ambiente neutro, colaborativo e supervisionado, para que as instituições testem toda a cadeia operacional de ativos tokenizados, avaliem riscos e desenvolvam referências comuns.
O projeto-piloto abrangerá o ciclo completo de vida dos ativos tokenizados, com foco em debêntures e um fundo de investimento. A simulação contemplará etapas como estruturação, emissão, distribuição, custódia, liquidação e encerramento, bem como processos de KYC, escrituração, garantias e relatórios periódicos, tudo em uma rede DLT permissionada e interoperável, conforme descrito pela ANBIMA.
A governança do programa foi construída com base em quatro instâncias para garantir transparência e participação ampla. Há um grupo de trabalho técnico formado por especialistas; um comitê técnico e de negócios (instituições associadas à ANBIMA) para validação; um comitê gestor, que é a instância máxima de decisão; e um comitê de acompanhamento integrado por ANBIMA, Banco Central e CVM para diálogo institucional. A liderança desse projeto cabe à Rede ANBIMA de Inovação, um grupo plural criado para conectar o mercado financeiro à comunidade de inovação, que também atua na curadoria de tendências e no desenvolvimento de soluções tecnológicas.
No que diz respeito ao cronograma, a ANBIMA informou que empresas associadas e não associadas poderão enviar propostas de casos de uso a partir de dezembro de 2025. Os testes práticos devem começar em 2026, após as instituições selecionadas participarem de um curso de capacitação obrigatório.
Além dos testes operacionais, a ANBIMA também promove a Jornada de Tokenização, uma iniciativa pública para difundir conhecimento, promover eventos e aproximar diversos players do mercado das discussões técnicas sobre blockchain e tokenização. A proposta é compartilhar os aprendizados do piloto e fomentar a inovação no sistema financeiro.
O projeto piloto de tokenização, conduzido pela Rede ANBIMA de Inovação, surge da necessidade de um desenvolvimento tecnológico mais organizado e resiliente. A iniciativa se apresenta como um avanço relevante, com potencial para contribuir de maneira significativa à dinâmica tecnológica que vem moldando novos modelos de negócio no mercado financeiro.

